O PRIMEIRO DE MAIO

Dia 1º de Maio, uma data que marca festividades e memórias, assim como outros dias. Porém consideramos que é necessária atenção a esse dia por três motivos especiais que serão discorridos a seguir.

É o dia do trabalho e, nesse dia, não trabalhamos. O que é mais do que justo. Comemorar aquilo que sustenta esse sistema como se fosse um dia normal não seria uma boa maneira de deixar claro o quanto qualquer trabalho tem importância para mantermos a sociedade de pé. Quem sabe assim, os detentores do lucro comecem a temer, tanto pela falta de sua produção, o fazendo degustar, mesmo que minimamente, sua falência, quanto por perceber a força que o operário – ao qual paga pouco e explora muito – tem para fazer a roda capitalista girar. E que esse medo chegue aos seus funcionários e a todos os companheiros na  forma de força, para encham o peito de coragem para lutar e conquistar para si o que já estão a produzir.

O dia 1º de Maio também foi escolhido como o dia da Literatura Brasileira. Isso por ser a data do nascimento de José Alencar, escritor brasileiro que se dedicou totalmente a literatura, depois que sua carreira política falhou, e que, juntamente com um panteão de literatos, inaugurou a era nacional da literatura brasileira com o Romantismo. Entre seus livros temos IracemaSenhora e O Guarani.  Alencar sempre tratou sobre o Brasil e aquilo que o formava, mesmo que sua visão esteja localizada em uma posição privilegiada do século XIX. Desde aquele século várias mudanças aconteceram em nossa literatura, dando a ela sua atual organicidade multifacetada.

Nesse mesmo dia nasceu Fernanda Young, escritora, atriz e apresentadora. Young publicou vários livros, de contos a poesias, dentre eles A Mão Esquerda de Vênus e Estragos. Foi responsável pelo roteiro de Os NormaisMinha Nada Mole Vida e apresentou programas como Irritando Fernanda Young. Em todas as suas obras, sejam os livros, os roteiros, seus programas, Fernanda deixou sua marca, expôs sua essência e, justamente por assim ser, foi tanto aclamada quanto criticada, como toda mulher que se despe dos padrões. Ela foi uma fonte de força e alívio para várias mulheres e artistas.

No dia  do trabalho e dia da literatura brasileira, uma união daquilo que trouxe Fernanda Young às vistas do público e que a mantem viva através dos livros e séries, que carregam seu nome em autoria, finalizamos com um de seus poemas, Sou Essa:

Eu bordo o labirinto quente das minhas veias.
Repito as palavras como mantras, nas voltas que a agulha faz.
Por vezes me furo e não o pano, gosto de levar esse susto.
É a digital de sangue que deixo ali: minhas lágrimas, cervejas, rompantes.
Se me revelo expondo as fraquezas, confusão, raiva.
Não me constranjo.
Há muito cansei de
Desculpar-me.
Sou essa, e aceito não ser querida.
Se me arrependo de algo,
Digo aqui e bordarei:
Foi ter saído de mim,
Para deixar alguns entrarem.

– Fernanda Young , A mão Esquerda de Vênus (2016)

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