LITERATURA VENDAVAL

Página preta, fonte preferida, Courier New, sempre quis saber o que significa, nunca procurei. Talvez a mágica esteja no toque de máquina de escrever, com um tom de algo que só segue em frente, vai entender… Tudo isso pra me sentir mais confortável, me visto do que parece estável. Se eu tenho que falar de mim, vai ser algo rimável e com certeza vou socar meu nariz no meio. É maior que eu, é o que chega primeiro.

Uma das primeiras coisas, que bebê percebe, é com quem ele parece. Daí pra frente, muita coisa a gente esquece, mas característica física fica, mesmo quando cê cresce e acendem as luzes. Nariz veio do meu pai, também é da vovó Lurdes. Ainda, tenho, mais ou menos, o nome dele. Ele é Walker, eu Walkiria, muita água passou debaixo da ponte, até hoje em dia, mas nunca vou deixar de ser sua filha, mesmo que eu e meu irmão não saibamos definir o que é família.

Já da dona Carminha, herdei coração e a teimosia, que também era da vovó Maria. E delas, de oração em oração, já com características físicas e personalidade, de Kira, eu comecei a observar a cidade e me apaixonei pelo mundo. E se você visse tudo o que eu já vi, ficaria mudo a ouvir. Mas também é o que me faz menina do sorriso fácil e eu não disfarço… a cada passo que eu dei no tempo, sorrir ficou mais bento.

Eu já me encasquetei em cantar, mas me encontrei ao rimar e quando foi hora de me formar, me percebi, apaixonada por educação e linguagem. E ao estudar, me senti cada vez mais parte da cidade. E uma vez que o conhecimento te invade, você sempre quer dormir tarde, vai e volta na mesma frase, pra mim não foi só uma fase. Eu sempre quis ser professora, talvez por ser controladora e ter um leve complexo de salvadora.

E poderiam ter escolhido Silva ou Rezende, mas, meus pais, decidiram me desejar feliz dias e se um dia lá na frente, eu me casar com um homem, não vou trocar meu sobrenome. De Goiás à Minas Gerais, eu sempre soube que precisava de mais e de livro em livro que li foi que cheguei até aqui. Precisando me despir em frente a ti. Em meio à versão mais sincera de mim, com uma pitada de preocupação social, te prometendo que com esse vendaval que é a literatura, em si, a vida não vai ficar sem sal.

Walkiria Felix, colunista da Revista Trem.

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