139 ANOS DE LIMA BARRETO

Há 139 anos nascia o escritor Lima Barreto, descendente direto de escravos e apenas sete anos mais velho que a abolição da escravatura. Sua produção literária entre-fases, que se deu no período de transição do Realismo para o Modernismo, só foi reconhecida após sua morte, em 1922. Isso apesar de ter escrito ativamente romances, crônicas, sátiras contos e ter fundado e trabalhado em revistas culturais.

Lima denunciava, entre outras coisas, o racismo, através de suas obras e para além delas também. Viveu nos tempos em que os governadores implantavam políticas de embranquecimento e cientistas avaliavam que até o ano de 2015 a população negra já não existiria no Brasil. Um de seus dizeres na tentativa de enfrentar essa política e a descriminação racial foi: “Quanto à raça, os repetidores das estúpidas teorias alemãs são completamente destituídos das mais elementares noções de ciência, senão saberiam perfeitamente que a raça é uma abstração, uma criação lógica, cujo fim é fazer o inventário da natureza viva, dos homens, dos animais, das plantas e que, saindo do campo da história natural, não tem mais razão de ser”.

Seu arsenal literário era constituído principalmente por russos, franceses, poucos alemães e ingleses e alguns brasileiros. Os personagens do autor possuíam grande proximidade de si, assim como Lima deles, mas isso não impediu que houvesse uma independência identitária entre eles. Mesmo quando Lima assinou seu nome quando era para ser assinado o do personagem e vice-versa. Podemos usar como exemplo seu livro de estreia “Recordações do escrivão Isaías Caminha” em que o protagonista passa a entender sua posição e imagem na sociedade a medida que tenta a vida na cidade grande, assim como aconteceu como Barreto.

Sendo internado duas vezes em manicômios, devido ao alcoolismo desenvolvido através de múltiplos fatores sendo sua exclusão social derivada do racismo um dos principais motivos, Lima morreu com apenas 43 anos, sem colher quase nenhum fruto de sua produção. Vale ressaltar que na época o alcoolismo era tratado como uma forma de loucura, por isso sua internação em manicômio.

Suas obras, em grande parte, estão sendo publicadas pela Companhia das Letras. Se quiser saber mais sobre o autor, recomendamos principalmente “Diário do Hospício e o Cemitério dos Vivos”  por Lima Barreto, “Lima Barreto – Triste Visionário”, da grande historiadora e especialista em Lima Barreto, Lilia Moritz Schwarcz.

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