time-bomb

Mina Loy foi poetisa, romancista e artista visual na vanguarda, participou do primeiro movimento modernista da língua inglesa. Autora do Manifesto Feminista, Loy ganhou interesse de pesquisadoras em 1980, antes disso, apesar de ser uma figura de destaque no movimento vanguardista, não possui grande presença na fala da crítica hegemônica. Alguns pesquisadores¹ entendem que este “sumiço” vem muito do lugar que Loy atribui a sexualidade e gênero em seus escritos. Alguns críticos ² consideram a impessoalidade de seus escritos uma forma de quebrar com tais normas e colocar-se em um lugar inusitado aos olhos da ordem de seu tempo.

No poema traduzido abaixo, Loy fala sobre a ruptura temporal entre o passado-presente e traz a dúvida sobre o que está por vir no futuro. A Segunda Guerra Mundial acaba por intensificar questões que já permeiam seus poemas³. O luto pós guerra, o poema em questão é de 1946, a coloca em uma posição de dúvida, entre a tristeza da perda e a contemplação do que restou. O passado destruído, as ruínas como símbolo do fim e de um presente fragmentado pela necessidade de sobreviver.

Em tempos de pandemia, podemos sentir essa descontinuidade do presente na pele. A destruição é substituída pelo vazio – o vazio das cidades, o distanciamento das relações que construímos. As dúvidas sobre o futuro em meio ao luto surgem e para esta espera não existe uma resposta salvadora, somos os sentinelas de um amanhecer desconhecido, assim como no poema de Loy:

Bomba-relógio (1946)

O momento presente é uma explosão,
uma ruptura
de passado e futuro

deixando
aqueles desrespeitáveis valorosos,
as ruínas,

sentinelas
em um amanhecer desconhecido
semeado com profecia.

Somente o momentâneo
fitar da morte
marca o fugitivo
momento.

Notas:

  1. Esta análise específica vem do artigo de Lucas Bento Pugliesi, na revista Criação e Crítica. Você pode acessar o artigo pelo link: https://www.revistas.usp.br/criacaoecritica/article/view/133680/136324
  2. ALTIERI, Charles. The Art of Twentieth-Century American Poetry: Modernism and After. Blackwell Publishing, 2005.
  3. Tanto este poema quanto outros de Loy estão disponívels em domínio público e você pode acessá-los no site https://mina-loy.com/
  4. O Poema foi traduzido livremente por Gabriel Brenner.

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